Uma nova ciência da vida?

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Luís Faria

Investigador e Presidente do Contraditório
" 'Duvido que alguém que não seja independente possa falar livremente' "

Publicado a 24 Fevereiro 2010 em Ciência, Tecnologia e Inovação

A maioria dos cientistas trabalha em universidades ou empresas, mas há aqueles que se mantêm fora do sistema. A escolha é entre a segurança de um emprego académico, por um lado, e a incerteza e a liberdade, por outro.

Susan Blackmore pergunta se “governos, comissões, ou políticos devem decidir qual a investigação que produz resultados e, assim, controlar o seu rumo? Ou os cientistas devem ter a liberdade para investigar, uma vez que é impossível saber antecipadamente quais as linhas de investigação que serão mais produtivas e que certas descobertas que mudarão a nossa compreensão do universo podem não ter quaisquer resultados imediatos a não ser o prazer do conhecimento em si mesmo?” 

Vários cientistas, muitos deles brilhantes académicos, decidiram investigar fora do sistema. Julian Barbour (Física), Craig Venter (Biologia), Stephen Wolfram (Matemática), Peter Dennis Mitchell (prémio Nobel da Química em 1978), Aubrey de Grey (Gerontologia), James Lovelock (Medicina) ou Amanda Feilding (Psicologia).

"Duvido que alguém que não seja independente possa falar livremente”, afirma James Lovelock. "As restrições podem ser bem intencionadas, mas são inevitáveis." Lovelock desistiu da sua carreira convencional para trabalhar como cientista independente.

"Ser independente é uma enorme vantagem" diz Amanda Feilding. "As minhas ideias são novas. Não estou acorrentada pelo sistema."

Rupert Sheldrake queixa-se que "O sistema actual paralisa a criatividade, inibe a curiosidade e torna a ciência um aborrecimento”.

Será que podemos concluir que ter mais liberdade intelectual é inequivocamente uma vantagem? Será bom para a ciência? E será bom para os próprios cientistas independentes que têm de “fazer pela vida”?

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