Seguir regras ou fazer escolhas?

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Luís Faria

Investigador e Presidente do Contraditório
"Será que as instituições condicionam a nossa vida em sociedade de tal forma que devemos procurar alternativas?"

Publicado a 17 Março 2010 em Sociedade

Há quem defenda que as instituições e as suas regras são essenciais porque definem claramente como nos devemos comportar. Pelo contrário, outros defendem que as instituições condicionam demais os comportamentos humanos e assim bloqueiam a inovação e atrasam o progresso.

Um relatório da Universidade de Harvard, de 2007, refere que o objectivo de uma educação liberal é destruir preconceitos, tornar estranho o que é familiar, revelar o que está por detrás e para além das aparências, fazer com que os jovens se desorientem e ajudá-los a encontrar formas de se reorientarem.

Segundo David Brooks, colunista do New York Times, esta abordagem tem implícito o “individualismo da cultura moderna”: os indivíduos devem aprender a pensar por eles próprios, ser cépticos relativamente às ideias pré-concebidas e libertar-se do meio em que cresceram para terem a possibilidade de analisar a vida de fora e descobrir os seus próprios valores. As grandes mudanças sociais acontecem quando os indivíduos olham para a vida de fora e, consequentemente, põem em questão alguns comportamentos institucionais, se não mesmo as próprias instituições. 

David Brooks contrapõe esta atitude a uma forma mais tradicional de viver: ao longo da vida, percorremos diferentes instituições - a família, a escola, o trabalho - com regras que absorvemos e às quais nos moldamos para nos tornarmos naquilo que somos. Apesar das instituições poderem reforçar a conformidade, elas salvam-nos, normalmente, das nossas fraquezas e dão sentido à vida.

Será que as instituições condicionam a nossa vida em sociedade de tal forma que devemos procurar alternativas? Ou será que a desvalorização das instituições pode provocar a ausência de regras e hábitos que prejudicam a vida em sociedade?

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Comentários (1)

  • Duarte Serrano 6 Abril 2010, 21:17 GMT

    Existirá vida para além das instituições? A procura de algo que preencha o vazio da sua perda pode representar a criação de uma nova instituição que por temor a cair nos erros da antiga se torne muito mais feroz e expansiva. Não foi assim que o totalitarismo emergiu? É curioso para não dizer trágico que os melhores se apercebam de onde as instituições fraquejam para que no intento de as reformar ou mudar por completo se esqueçam do passado. Isto é um pouco como a anúncio do Smirnoff em que alguém está no topo de uma instituição, só resta saber até quando.

    São as instituições que formam o ser humano que é associativo por natureza. Mas algo nesse processo se perde, pois, tanto se pode cair na burocratização extrema, assim matar judeus será apenas um acto burocrático porque alguma chefia o ordenou e para o qual a contestação ou a reflexão não fazem sentido ou se podem cometer atrocidades para depor uma instituição que se considera corrupta e fraca para prosseguir. No fundo as instituições são como o El Dourado, não é preciso encontrá-lo basta que se acredite e pode valer a procura de uma vida.

    Mas quando não se acredita numa instituição ou quando esta não teve em nossa vida uma função producente o indivíduo pode virar-se contra ela tal como pode de forma irracional uma multidão que quer pão fazer uma revolução, ou pelo menos pensar que a fez. Na lógica das instituições penso ser necessário tomar em linha de conta o poder. Para que as instituições resistam e se vão alterando é preciso compreender que estas são como o fato preto do Spider Man, pode vestir-se e saber ao que sabe mas não se pode viver com ele para sempre sob pena de nos tornarmos em algo que não somos. Para uns tem de ser o El Dourado para outros o fato preto do Spider Man. Gerir isto é saber onde está o limiar do acreditar e o limite do poder.