O terço dourado

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Matilde Pais

Investigadora
"Um terço das pessoas estão no 'terço dourado', onde o risco é recompensador"

Publicado a 23 Março 2010 em Sociedade

“Making decisions is like speaking prose – people do it all the time, knowingly or unknowingly”, D. Kahneman e A. Tversky

Na segunda metade do século XIX, a teoria da evolução de Darwin provou que na luta pela existência sobrevivem os indivíduos que melhor se adaptam.

Entre os nossos antepassados, aqueles que se aventuravam na procura dos melhores alimentos ou que ultrapassavam o medo do fogo, beneficiavam relativamente àqueles que não tinham coragem para o fazer. Desta forma, William Gurstelle justifica que há muitas pessoas que vivem em constante risco: está no nosso ADN.

William Gurstelle, engenheiro e autor de diversos livros, explica a importância de assumir riscos, da criatividade tecnológica e do trabalho de equipa. Ele acredita que quanto maior for o prazer que se retira daquilo que se faz, maior será o sucesso obtido. William distingue os avessos ao risco dos amantes do risco, categorias que estão em abas opostas da curva de Gauss. Há estudos que demonstram que as pessoas que têm mais sucesso encontram-se perto da média da propensão para assumir riscos, mas mais próximas dos amantes do risco. Um terço das pessoas estão no “terço dourado”, onde o risco é recompensador.

Em 2005, um estudo da Universidade de Bona concluiu que aqueles que têm uma propensão para o risco acima da média também são mais felizes do que a média. Um outro estudo de K. MacCrimmon e Donald Wehrung, da Universidade de British Columbia, mostrou que, nos EUA e no Canadá, os empresários com mais sucesso são aqueles que assumem maiores riscos, mas também recebem recompensas maiores.

William Gurstelle considera que para se estar no “terço dourado” tem de se experimentar, porque só com a prática se chega lá. A questão é saber fazer as escolhas certas. E essa escolha é que vai distinguir um “terço dourado” de um tonto. Por exemplo, quem come sushi de fugu (um peixe venenoso mas considerado uma iguaria no Japão) num bom restaurante japonês está no “terço dourado”, mas quem come uma maionese que passou um dia ao sol é tonto.

 

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Comentários (1)

  • Maria M. Viana 5 Maio 2010, 12:01 GMT

    Este texto deveria ser enviado aos nossos empresários que de uma maneira geral não arriscam e estão encostados às ajudas do Estado, na ânsia do lucro rápido e fácil. O que aconteceu a este povo que descobriu o mundo e arriscou vidas para dar novos mundos ao mundo?