O cebiche como interesse estratégico

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Luís Faria

Investigador e Presidente do Contraditório
"Os empreendedores devem ser libertados do intervencionismo do Estado"

Publicado a 14 Julho 2010 em Empreendedorismo

Gastón Acurio é um “chef” peruano e a razão da crescente popularidade mundial da gastronomia do Peru.

Acurio abriu o seu primeiro restaurante em 1994, com 45 mil dólares emprestados pela sua família e amigos. Hoje, os seus pratos são saboreados em Lima, Buenos Aires, Santiago, Quito, Bogotá, Caracas, Cidade do Panamá, Cidade do México, Madrid, São Francisco e, brevemente, também em Nova Iorque e Londres.

De acordo com Vargas Llosa, “Nadie ha hecho tanto como él para que el mundo vaya descubriendo que el Perú, un país que tiene tantas carencias y limitaciones, goza de una de las cocinas más variadas, inventivas y refinadas del mundo, que puede competir sin complejos con las más afamadas”, escreveu o escritor. “Si alguien me hubiera dicho hace algunos años que un día iba a ver organizarse en el extranjero ‘viajes turísticos gastronómicos’ al Perú, no lo hubiera creído”. “Si hubiera un centenar de empresarios y creadores como Gastón Acurio, el Perú hubiera dejado atrás el subdesarrollo hacía rato.”

O fórum de culinária de fusão de Madrid escolheu Lima como a “capital gastronómica das Américas”, em 2006. Em 2009, a revista Bon Appetit foi ainda mais longe e disse que o Peru seria o próximo destino gastronómico mundial. O mundo está atento a este fenómeno.

A família de Gáston Acurio esperava que ele fosse político e por isso Acurio foi para Madrid estudar Direito. No entanto, Gáston Acurio só queria ser “chef” e, segundo o próprio, “Felizmente percebi que se pode fazer muito mais pelo nosso país enquanto cozinheiro do que como político”.

Gáston lembra que “Percebemos que teríamos de nos libertar do preconceito de que não seria possível ter sucesso com o que estávamos a fazer”. Nos seus três primeiros restaurantes, Acurio tentou afastar-se do preconceito cultural que afastava os peruanos da sua cozinha: “Sempre fomos ensinados a importar a cultura de fora do país; agora percebemos que a nossa comida é um óptimo produto em que temos investido nos últimos 5000 anos”.

Utilizando Lima como incubadora para as suas ideias, Gáston percebeu o valor exportador da sua cozinha: “Nós voltamos da Europa formatados para abrirmos restaurantes franceses, italianos ou espanhóis. Redescobrimos o nosso país e assumimos as nossas responsabilidades, do nosso tempo, e sentimos que somos realmente parte de um movimento”. Nas pegadas do cebiche desenvolvem-se mercados exportadores de outros produtos locais.

Pinasco, sócio de Acurio, conheceu-o depois de ler uma intervenção sua na mais prestigiada business school de Lima, em 2006. “Muitas pessoas sentiram-se inspiradas, não só pelo que pode ser feito com a nossa comida, mas pelo que podemos fazer pelo nosso país”, disse Pinasco.

Em 2009, as marcas de Acurio estavam avaliadas em 60 milhões de dólares, mas contribuíam também para a recuperação do orgulho do país. A cozinha do Peru começa a ser conhecida em todo o mundo.

Os empreendedores devem ser libertados do intervencionismo do Estado.

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