Chá de jasmim para a Europa?

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Pedro Teles Ferreira

Jurista
"Os acontecimentos no Norte de África, em particular na Tunísia e no Egipto, têm demonstrado uma intensa vontade de mudança"

Publicado a 31 Janeiro 2011 em Relações Internacionais

por Pedro Teles Ferreira

Os acontecimentos no Norte de África, em particular na Tunísia e no Egipto, têm demonstrado uma intensa vontade de mudança, sobretudo dos seus jovens, que reclamam melhores condições de vida nos seus países, designadamente mais democracia e mais emprego. Por ora, os jovens tunisinos e egípcios não parecem estar a ser mobilizados por desígnios ou objectivos de natureza religiosa, mas essencialmente sociais, económicos e políticos.

Nas posições que têm vindo a ser assumidas, a Europa e os Estados Unidos têm procurado incentivar a assunção, pelos Estados em questão, das preocupações manifestadas pelas populações, bem como a tomada de medidas concretas que favoreçam a democracia, transições pacíficas, o respeito pelas liberdades e direitos fundamentais, conservando a estabilidade regional.

Além da Geografia e da História partilhada com o Mediterrâneo, a União Europeia tem interesses e preocupações na região, perfeitamente compreensíveis, entre as quais, a sua segurança energética, a imigração ilegal, a preservação de importantes rotas comerciais (através do canal do Suez), bem como a existência ou a possibilidade de proliferação da influência de movimentos extremistas, de natureza política e/ou religiosa.

Os mecanismos de cooperação regional e de vizinhança, assim como o apoio ao desenvolvimento que tem vindo a ser promovido pela União Europeia, incluindo em áreas como a governação democrática, direitos humanos e desenvolvimento económico, não foi suficiente para evitar a revolução social em curso na Tunísia e no Egipto.

Atendendo às suas causas, parece evidente que a revolução de jasmim poderá alastrar a outros Estados da região, o que justifica redobrada atenção e uma diplomacia mais activa. Para tal é incontornável melhorar a percepção das mudanças verificadas no Norte de África, nos diferentes países.

Vários líderes mundiais, reunidos em Davos, no Fórum Económico Mundial, têm considerado inevitável a promoção de um desenvolvimento inclusivo e sustentável. A Europa dispõe de uma oportunidade para actuar, promovendo a estabilidade, e apoiar as reformas democráticas e económicas desejadas pelos povos tunisino e egípcio, intensificando o diálogo com as forças vivas dos Estados, e dando sinais claros do seu compromisso.

Parece ser o tempo da União Europeia demonstrar que a Política Externa e de Segurança Comum é mais do que um número de telefone dado pelo Tratado de Lisboa.

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