O futuro dos jornais: Os contedos online dos jornais portugueses devem ser pagos pelo leitor?

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    Henrique Monteiro

    Jornalista, administrador no executivo e director na Impresa Publishing
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    Antnio Granado

    Editor multimdia na RTP e professor auxiliar na Universidade Nova de Lisboa
24 Janeiro 2011 a 6 Fevereiro 2011 em Sociedade

evolução da tendência de voto

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Introdução

A internet mudou hábitos, nomeadamente no que diz respeito ao acesso à informação. O desenvolvimento das novas tecnologias levanta vários desafios aos jornais. Por exemplo, será melhor pedir pouco dinheiro a várias pessoas ou muito dinheiro a poucas? Ou seja, será que os jornais devem cobrar os seus conteúdos online aos leitores ou, pelo contrário, procurar outros modelos de negócio por forma a oferecer os conteúdos online gratuitamente?

Estas são algumas das perguntas que podem levar o leitor a questionar-se sobre qual o valor que dá à informação e se está disposto a pagar por ela.

O Contraditório convidou António Granado, editor multimédia na RTP e professor auxiliar na Universidade Nova de Lisboa , para defender o “NÃO” e Henrique Monteiro, jornalista, administrador não executivo e director coordenador editorial para novas plataformas na Impresa Publishing, para defender o “SIM”.

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Moderador

Moderador

Há alguns anos atrás, a frase “information wants to be free” dominava a discussão sobre os conteúdos online. Actualmente são muitas as publicações que já adoptaram, ou pensam vir a adoptar, um modelo de acesso pago.

Arianna Huffington, co-fundadora do blogue The Huffington Post considera que “jardins bloqueados” são um contra-senso e que a “link economy” veio para ficar. Pelo contrário, Lionel Barber, editor do Financial Times, considera que o pressuposto para a implementação de um modelo de acesso pago deve ser a qualidade dos conteúdos. Outros ainda consideram que a solução passa pela filantropia ou mecenato e, segundo esta filosofia, Penelope Muse Abernathy analisa quatro alternativas para o New York Times:

1) Donativos que financiem o jornal;

2) Apoio beneficente para publicar em determinadas áreas, por exemplo a cultura ou assuntos internacionais;

3) A compra do jornal por uma universidade ou outra instituição educativa; e, segundo um modelo diferente;

4) A venda do jornal a “business angels” que teriam como objectivo de negócio recompensar os proprietários “adequadamente” e assumir o passivo do jornal.

Mas será esta uma solução realista, sobretudo em Portugal? Passará a solução pela “link economy”, “paywall”, filantropia ou um modelo que procure o melhor de todos estes mundos?

Nos seus argumentos iniciais, António Granado defende que os conteúdos dos jornais portugueses online não devem ser pagos pelo leitor “por uma razão essencial: não têm qualidade suficiente, nem se espera que possam vir a ter nos próximos meses ou anos. E sem qualidade, muita qualidade, não é possível convencer um número suficiente de pessoas a pagar por eles”.

Pelo contrário, Henrique Monteiro afirma que “...algo que nunca entendi foi a ideia de que online (na web ou tablets,onde também já surgiram os defensores desta ideia) haveria uma espécie de exceção às leis básicas da vida, um mundo onde o trabalho e o esforço não têm recompensa, mas apenas reconhecimento”.

Argumentos iniciais

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Henrique Monteiro

Jornalista, administrador no executivo e director na Impresa Publishing

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Antnio Granado

Editor multimdia na RTP e professor auxiliar na Universidade Nova de Lisboa

1. Comecemos pela pergunta: os conteúdos dos jornais devem ser pagos? Que significa este devem? Que há uma espécie de imperativo ético? Do meu ponto de vista os conteúdos dos jornais devem ser pagos… se for essa a estratégia dos seus proprietários. Devem ser gratuitos se a estratégia for diferente. Tanto no online como no papel. Se a estratégia de um jornal for noticiar o que todos já noticiaram, ou difundir comunicados de empresas e telegramas de agências, enfim, repetir o que está dito sem criar qualquer valor na comunicação, não vejo razão para que tais conteúdos mereçam ser pagos. Se, ao contrário, for investigar, olhar por outros ângulos, fazer jornalismo sério, enfim criar valor, não vejo modo de ser gratuito. A menos que da estratégia da empresa detentora do jornal faça parte perder dinheiro – o que não é crível. Tradicionalmente, os conteúdos eram pagos pelos leitores e pela publicidade. Foi um modelo testado e bastante produtivo em termos de resultados económicos e de bom jornalismo.

2. O que trouxe o online de diferente? Desde logo a possibilidade de qualquer um (digamos assim) passar a ser produtor de conteúdos de massas – mas, atenção, isto não significa o mesmo do que ser jornalista. Depois, a baixa dos preços de distribuição, mas não de produção. Em tese, se tivesse sido possível trasladar do papel para o online o modelo de publicidade, teria sido possível baixar os custos finais para o consumidor, ou até eliminá-los (embora eu, pessoalmente, considere errado desvalorizar totalmente o trabalho jornalístico sério). Mas tal não se passou. O modelo da publicidade online tentou seguir o modelo da televisão de um modo ainda mais benéfico para os anunciantes, passando boa parte dos custos da operação de Internet para os produtores de conteúdos jornalísticos. Estes, uma vez que têm estruturas profissionais a quem devem (agora sim, a palavra é eticamente imperativa) pagar salários no fim do mês, entraram numa dupla crise: por um lado no desgaste das vendas provocadas pela própria Internet; por outro, pela incapacidade de realizar lucros na Web. A ideia da gratuitidade pode ser uma utopia generosa. Pode defender-se o mesmo para a comida, bem essencial, boa parte dela natural brotando da terra. Ou, até por maioria de razão, para a água, os transportes, a distribuição de televisão por cabo, a energia elétrica. Ou como dizia o louco da minha terra, se eu mandasse, as ruas eram todas a descer… Mas nada é gratuito, assim como é impossível haver apenas ruas a descer… Há custos associados, mesmo para as necessidades mais básicas que não têm preço, como a Saúde. Tudo o que nos chega gratuitamente e não é fruto da simples benemerência, tem um preço implícito, seja pela via dos impostos (v.g. Saúde e Educação, Justiça, e só em parte), seja pela via da associação a produtos comerciais.

3. Passemos, então, aos conteúdos online como está expresso na pergunta. Não há nada que eu preze mais do que uma boa discussão, porém algo que nunca entendi foi a ideia de que online (na web ou tablets, onde também já surgiram os defensores desta ideia) haveria uma espécie de exceção às leis básicas da vida, um mundo onde o trabalho e o esforço não têm recompensa, mas apenas reconhecimento. Já referi a possibilidade de se imaginar uma sociedade em que o reconhecimento fosse igual à recompensa e portanto os serviços básicos fossem fornecidos apenas em troca de agradecimentos sinceros. Pensarão que eu estou a ironizar e, em certa medida, estou. Acontece, porém, que é isto que nos é exigido a nós – jornalistas e empresas de comunicação social, sérios, independentes de subsídios e de empresas estranhas ao setor – que prestemos um serviço que tem para nós custos, esforço, criatividade, empenho em troca de… nada! Parece-me impossível.

4. Conheço as origens da Net e a sua ideia generosa de comunidade, uma espécie de comunitarismo feito de trocas de ideias. Mas essa génese bem-intencionada previa que todos os cidadãos que acedessem à Net seriam pessoas exemplares (investigadores, académicos) dispostas a trocar os seus conhecimentos por outros. Isto, no limite, dispensaria os jornalistas, porque dispensaria os mediadores. Mas acontece – e basta ler as caixas de comentários das notícias – que aqueles que têm acesso não são os cidadãos puros e angélicos que estavam no programa das boas intenções. As campanhas negras, os boatos e rumores, as maledicências puras, vieram exigir profissionalismo no sentido do rigor, factualidade da comunicação, responsabilidade, capacidade de seleção e pluralidade. Eis algo que, melhor ou pior, o jornalismo profissional oferece. Não quero afirmar que outras pessoas, individual ou coletivamente, não possam oferecer idêntico ou maior rigor e responsabilidade. Mas, quando o fazem, nada nem ninguém os obriga a ser plurais – por isso os blogues mais cedo ou mais tarde são associados a correntes políticas, económicas, desportivas, etc. – e nada nem ninguém os obriga à visão distanciada e desapaixonada de um fenómeno. Dir-me-ão que eu estou a exagerar na defesa do jornalismo, mas sou jornalista há mais de 30 anos e, embora sabendo que ele não é bacteriologicamente puro, saiba o suficiente para dizer que, nos jornais por onde passei (e que vendiam informação e viviam ou vivem disso, como o JN, O Jornal e o Expresso), essa constante tentativa do rigor, da isenção, do pluralismo e da factualidade eram a norma e não a exceção.

5. Por isso, à pergunta se os conteúdos online dos jornais devem ser pagos (e faço notar que os conteúdos onlinesão mais do que os conteúdos impressos, envolvendo meios como som, imagem em movimento e animação), respondo um claro sim. Coisa diferente é saber se haverá capacidade para reverter a atual situação. O que começou gratuito e se popularizou gratuito, alguma vez pode passar a ser pago? Se não o for, que interesses sustentam os defensores da gratuitidade (uma vez que na minha posição está implícita a defesa de empresas de comunicação que vivem profissionalmente do jornalismo)? O novo mundo dos tablets é uma ótima oportunidade para os media fazerem um caminho diferente. No entanto, caso insistam na ideia do gratuito, saberão que matam o jornalismo e estarão, a prazo, a distribuir ruído e rumores por informação.

N.B.: Henrique Monteiro escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Os conteúdos dos jornais portugueses online não devem ser pagos pelo leitor por uma razão essencial: não têm qualidade suficiente, nem se espera que possam vir a ter nos próximos meses ou anos. E sem qualidade, muita qualidade, não é possível convencer um número suficiente de pessoas a pagar por eles. O resultado de um paywall em conteúdos de qualidade duvidosa será a morte dos jornais que optarem por ele, porque perderão audiência e influência, dois valores essenciais de sempre no mundo dos média. Umpaywall acrescentará ainda mais dois problemas, que não podem ser desprezados por aqueles que decidem: a publicidade perderá muito valor, pois passará a ser vista por muito menos gente; e os jornalistas e colunistas perderão leitores, o que lhes baixará enormemente a reputação, moeda de troca primordial no actual espaço público.

Nos últimos anos, muitos jornais portugueses mostraram um ignorante desprezo pelas suas edições online, apesar do discurso público em sentido contrário. Os jornalistas online, quando não foram “de castigo” escrever para a Web, continuaram a ser os mais mal pagos das redondezas e não há certamente nenhum jornal português que actualmente se possa vangloriar de ter na sua secção online os melhores e mais conhecidos jornalistas da sua redacção. Antes pelo contrário, como sem dificuldade reconhecerão os responsáveis editoriais. Esta atitude displicente teve duas consequências fundamentais: os jornais não se prepararam para um futuro digital que se anunciava há muito e, ao mesmo tempo, foram enfraquecendo as redacções tradicionais, com cortes sucessivos nos recursos humanos, elemento fundamental para o exercício de um jornalismo pelo qual valha a pena pagar.

As diversas experiências que ao longo dos anos se foram fazendo para tentar introduzir conteúdos pagos nos jornais portugueses falharam redondamente. Os utilizadores não estão dispostos a pagar por conteúdos sem qualquer valor acrescentado, quando encontram na Web esses mesmos conteúdos gratuitamente. Os conteúdos pagos que ainda subsistem têm um número ridículo de assinantes que, bem vistas as coisas, não justificam o dinheiro que geram e poderiam ser certamente mais rentáveis se disponibilizados em páginas com publicidade paga. Não falo obviamente das edições em .pdf que, apesar de terem também um pequeno número de assinantes, fazem algum sentido, pois acrescentam valor para os seus utilizadores, especialmente investigadores e outros profissionais que estão disponíveis para pagar por elas.

No estrangeiro, são fundamentalmente dois os casos de sucesso: The Wall Street Journal Financial Times, ambos jornais económicos, cuja informação tem alcance global e importância vital para os seus consumidores. Pagar por informação de grande qualidade numa língua universal, quando ainda por cima se pode lucrar financeiramente com ela, é uma opção muito fácil de tomar para quem gere empresas ou se movimenta no mundo da alta finança. O mesmo já não se pode dizer de outros grandes jornais de língua inglesa que facilmente perceberam que não podiam ir por aí, pois a informação que prestam não é suficientemente valorizada por aqueles que estão disponíveis para pagar. Alguns destes jornais recuaram rapidamente e a tempo nas suas intenções de ir pelo caminho dos conteúdos pagos, preferindo concentrar-se na publicidade nos seus sites.

Mal preparados para enfrentarem os desafios colocados pelas novas plataformas digitais, sem recursos humanos qualificados ou treinados para produzir conteúdos de qualidade para essas plataformas, aos jornais portugueses não resta senão esperar mais uns anos até que o seu trabalho online possa ser valorizado e, consequentemente, pago. Produzir para as novas plataformas com qualidade suficiente custa muito dinheiro e não garante um retorno financeiro, pois o mercado está cheio de produtos noticiosos gratuitos de enorme qualidade. Aliás, há mesmo alguns grandes jornais do mundo que já declararam que nunca serão pagos online. Por outro lado, mesmo com preços bastante baixos – vamos supor os 79 cêntimos de euro que custará The Dailypor semana -, os jornais portugueses não terão escala para conseguir um valor muito elevado pelo seu investimento.

Como desde sempre aconteceu no mundo dos jornais, é a qualidade dos conteúdos que faz a diferença entre aqueles que lemos e aqueles que não lemos. O mundo digital não é diferente e ninguém pode esperar vender gato por lebre e ter consumidores satisfeitos ao mesmo tempo. Para atingir essa qualidade é preciso investimento e não desinvestimento, é preciso saber esperar e ter muita paciência, apostar numa estratégia e manter essa aposta durante um tempo suficiente para que ela possa dar frutos. Os grandes jornais do mundo formaram-se assim e já acordaram há muito tempo para a realidade digital, colocando nas suas secções multimédia uma percentagem muito significativa de recursos humanos, para que possam produzir para as plataformas digitais e não se limitem a transferir conteúdos dos suportes tradicionais sem qualquer valor acrescentado.

Se acordamos tarde, perdemos o comboio. Não há volta a dar. Correr não adianta também, quando ainda por cima os nossos futuros consumidores – sim, é com eles que teremos de viver nos próximos anos – não estão dispostos a pagar por conteúdos online, nem consomem a informação da forma tradicional a que fomos habituados. E podemos fazer alguma coisa para mudar estes hábitos? Tenho muitas dúvidas. Mas mesmo respondendo “talvez”, ficam-nos a faltar ainda o investimento sério nas novas plataformas, os jornalistas preparados para o mundo digital e, claro, os conteúdos de grande qualidade. Para já, não temos nenhum destes ingredientes e, por isso, quanto a conteúdos pagos nos jornais portugueses, o Jorge Palma é que tem razão: “Deixa-me rir…”

Moderador

Moderador

Os nossos convidados concordam que é a qualidade, o valor acrescentado dos conteúdos, que justifica o seu pagamento.

No entanto, a divergência de opiniões entre ambos subsiste. António Granado considera que não temos que “pagar directamente pelo que eles [jornalistas] escrevem”. Pelo contrário, Henrique Monteiro refere que é possível “ter conteúdos medíocres, indistintos ou sem grande valor sem cobrar por eles, mas se não cobrar nunca terá outros.”

Segundo a revista “The Economist”, a falta de consenso sobre o pagamento de conteúdos online preocupa a indústria dos media. Quem deseja ganhar escala defende que as estratégias premium estão condenadas. Aqueles que defendem a posição contrária consideram que oferecer conteúdos online desvaloriza todos conteúdos.  

Mas haverá apenas uma única estratégia correcta? Aguardamos pelos argumentos finais dos nossos convidados. 

Contraditrio

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Henrique Monteiro

Jornalista, administrador no executivo e director na Impresa Publishing

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Antnio Granado

Editor multimdia na RTP e professor auxiliar na Universidade Nova de Lisboa

"Os conteúdos dos jornais portugueses online não devem ser pagos pelo leitor por uma razão essencial: não têm qualidade suficiente, nem se espera que possam vir a ter nos próximos meses ou anos". É desta forma perentória que António Granado inicia o seu texto. Porém, e se permitem uma precisão, o que estava em causa não seria se os conteúdos até hoje lidos por António Granado têm, ou não, qualidade, mas sim se os conteúdos online dos jornais portugueses devem, ou não, ser pagos pelo leitor. 

Num pequeno parêntesis, direi que conheço perfeitamente o meu destino de perdedor neste debate. Os que optam por pagar algo que tem sido gratuito tendem, na sociedade atual, a ser confundidos com palermas, uma vez que é difícil entender a função estabilizadora e reguladora do preço. Mas adiante, a bem da argumentação, uma vez que este se pretende um debate elevado.

Volto ao meu opositor, que saúdo, para lhe relembrar o seguinte. Todas as semanas mais de 100 mil portugueses saem de casa ao sábado para, entre outras coisas, comprar o Expresso. Pagam três euros pelo seus conteúdos. António Granado pode entender que vale ou não o preço, isso não está em causa, apenas sublinho que mais de 100 mil pessoas pensam que vale. É muito mais do que um Estádio da Luz (e a propósito, se eu adotasse o seu critério ao futebol, diria que os jogos devem ser gratuitos, porque entre nós o futebol praticado é mau).

Prometendo agora não mais me desviar do tema com pequenas ou grandes alfinetadas, regresso aos mais 100 mil portugueses que compram o Expresso, ou que compram diariamente o Correio da Manhã. Pagam esses conteúdos, porque entendem que esses conteúdos merecem ser pagos. Ora, a minha pergunta básica é: se eles merecem ser pagos no mundo físico (do papel), por que razão não merecem ser pagos no mundo online(ainda que a formação do preço possa ter cambiantes, porque os custos também não são iguais)? Ora, para isto, não há um racional, apenas uma história: a informação profissional (e sublinho esta palavra profissional) só existe online porque os media tradicionais puderam sustentá-la. Se a informação online tivesse surgido a partir do nada nem um só projeto teria subsistido. Apenas os motores de busca (porque, para responder a um dos comentadores – Luiz Carvalho - o próprio YouTube dá bastante prejuízo e vive daquilo que em contabilidade se chama goodwill ou o valor da marca; isto é, do que se pensa, ou pensava, que há de valer).

António Granado diz que os jornais desprezaram os conteúdos próprios do online. Será, em parte verdade, mas o debate não progredirá se os argumentos se basearem apenas em experiências empíricas minhas ou de Granado. Diz ele que houve jornalistas enviados de castigo para o online. Desconheço se fui castigado em 1996 quando coloquei o Expresso online, ou agora em 2011 quando coloco títulos da Impresa Publishing nas lojas de aplicações do mundo dos tablets. E também não me parece que o meu contraditor esteja (ou estivesse) a ser castigado nos relevantes cargos que teve no ‘Público’ ou tem na RTP. Uma má experiência não pode ser erigida em teoria, assim como uma necessidade não se transforma em virtude.

Acresce que neste momento não costuma haver distinção entre redação de online, mobile e papel. São todas a mesma, embora podendo ter editores diferentes. Pelo menos, é o que se passa nas redações que conheço.

De resto, estamos de acordo numa parte essencial. Diz António Granado que deve ser o valor acrescentado a distinguir os conteúdos jornalísticos, de forma a poderem ser pagos. Disse eu que não vale a pena pagar press releases e notícias que todos já sabemos – ou seja, dissemos o mesmo.

De que mais precisamos? De investimento, de recursos humanos, de imaginação, de criatividade. Tudo coisas que se pagam, mas que António Granado quer resolver sem exigir qualquer pagamento que não sejam parcos tostões provenientes de uma inexistente publicidade. É aqui que esbarra na questão do ovo e da galinha. Meu caro, se não quer pagar, como quer exigir? Se não exige, apenas tem o que lhe dão. Não é por acaso que quando bebe uma cerveja lhe podem oferecer, de graça, um prato de tremoços salgados, na esperança de que beba mais um copo. Mas nunca lhe vão oferecer uma travessa de camarão à borla, porque o preço do camarão é superior ao lucro que dá a cerveja. Mutatis mutandis, pode ter conteúdos medíocres, indistintos ou sem grande valor sem cobrar por eles, mas se não cobrar nunca terá outros.

Posto isto, mantenho-me na minha. Vi a opinião de outros comentadores, a quem agradeço a atenção e elevação, mas não me convencem. A informação com alto valor acrescentado, utilizando som, imagem em movimento, animação já existe em Portugal. Se lerem a Visão ou a Exame num iPad verão que não é ficção; se utilizarem algumas infografias interativas no site do Expresso, concederão que esse valor é real. Condená-lo à gratuitidade é acabar não só com o valor, como com a possibilidade de o realizar. Defender que este tipo de informação deve ser gratuita é não querer o progresso do jornalismo e das suas narrativas, é minar a independência das empresas livres que promovem esse jornalismo, condenando-as ao prejuízo.

Ser livre tem o seu preço e exige a coragem de ir contracorrente.

N.B.: Henrique Monteiro escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Relendo os textos que ambos escrevemos na semana passada, parece-me que, ao contrário do que o título deste site sugere, estamos de acordo no essencial: os conteúdos dos jornais portugueses online não devem ser pagos. Diz o Henrique Monteiro, logo no primeiro parágrafo do seu texto, que “se a estratégia de um jornal for noticiar o que todos já noticiaram, ou difundir comunicados de empresas e telegramas de agências, enfim, repetir o que está dito sem criar qualquer valor na comunicação, não vejo razão para que tais conteúdos mereçam ser pagos.” E qual tem sido a estratégia dos jornais online portugueses nos últimos anos? Exactamente a que o Henrique descreve, chegando até ao cúmulo de guardar notícias para a edição em papel, que muitas vezes acabam por ser dadas por outros órgãos de comunicação em primeiro lugar. Primeiro ponto em que estamos de acordo: os jornais portugueses não criam qualquer valor acrescentado online.

Depois há a questão da rádio e da televisão, dois meios onde ninguém paga para ter acesso a conteúdos de qualidade e os custos são cobertos pela publicidade. Este tema, que o Henrique trouxe à discussão, é mais importante do que possa parecer pois, ao invés de muitos argumentos que ouvimos todos os dias, a verdade é que não foi a Internet que habituou os consumidores a receber informação sem pagar. Antes da Internet, a rádio e a televisão já o faziam há muito tempo. Para o Henrique Monteiro, “o modelo da publicidade online tentou seguir o modelo da televisão de um modo ainda mais benéfico para os anunciantes, passando boa parte dos custos da operação de Internet para os produtores de conteúdos jornalísticos”. E de quem é a culpa?, pergunto eu. Mais uma vez dos órgãos de comunicação que aceitaram modelos de publicidade baseados na interacção com o anúncio, como se eu alguma vez tivesse tido de clicar num outdoor, num spot de rádio ou de televisão para que ele fosse pago. Segundo ponto em que estamos de acordo: os jornais portugueses online não souberam até agora explorar a sério a sua publicidade.

Outra questão que merece uma reflexão é o argumento de que os que defendem conteúdos gratuitos na Web estão a ir contra as leis básicas da vida, onde não há almoços grátis. Escreve o Henrique Monteiro que “a ideia da gratuitidade pode ser uma utopia generosa. Pode defender-se o mesmo para a comida, bem essencial, boa parte dela natural brotando da terra. Ou, até por maioria de razão, para a água, os transportes, a distribuição de televisão por cabo, a energia eléctrica.” Nada mais errado. Os que defendem os conteúdos gratuitos dos jornais online portugueses (é disso que estamos a falar neste debate) apenas acham que a qualidade que eles apresentam não é suficiente para merecerem ser pagos. E este é um terceiro ponto em que estamos tão de acordo que até me permito repetir aqui uma frase do próprio Henrique: não acreditamos num mundo onde o trabalho e o esforço não têm recompensa. Trabalhem e esforcem-se primeiro os jornais portugueses online e depois falamos sobre pagamentos. Pode ser?

Sobre a importância do jornalismo no mundo actual, não posso estar mais de acordo com o Henrique Monteiro. Também eu acho que “as campanhas negras, os boatos e rumores, as maledicências puras, vieram exigir profissionalismo no sentido do rigor, factualidade da comunicação, responsabilidade, capacidade de selecção e pluralidade. Eis algo que, melhor ou pior, o jornalismo profissional oferece.” Não tenho uma ideia tão negativa dos leitores e dos participantes nas caixas de comentários, e não sei se é preciso ter carteira profissional de jornalista para se ser sério e fornecer informação credível, mas também acho que a nossa profissão tem o seu lugar numa sociedade cada vez mais dominada pela informação. E aí temos um quarto ponto que nos aproxima: os jornalistas rigorosos, isentos, respeitadores do pluralismo e da factualidade vão ser cada vez mais necessários. Mas isso não que dizer que tenhamos de pagar directamente pelo que eles escrevem. Como acontece já hoje com as dezenas de grandes jornalistas da rádio e da televisão aos quais não pagamos nada…

Não posso terminar este texto sem chamar a atenção para um ponto em que estamos em completo desacordo e tem sido aliás propagandeado vezes sem conta e usado como argumento contra a Net: a perda de leitores dos jornais por culpa da Web ou, como o Henrique enuncia, “o desgaste das vendas provocado pela própria Internet”. Falso, completamente falso. Diversos estudos internacionais mostram que o “desgaste das vendas” começou muito antes da Internet e teve origem na própria descredibilização do jornalismo e dos jornalistas. As sucessivas derivas deontológicas e éticas, as reformulações dos jornais no sentido de textos mais leves e os sucessivos cortes nas redacções terão feito mais pelo “desgaste das vendas” do que a Internet. Ou acham os defensores desta ideia que os consumidores estão dispostos a pagar mais caro por jornais diários de 32 ou 36 páginas, como acontece actualmente em Portugal?

A Internet aumentou de forma exponencial a audiência dos jornais. Quando comecei na profissão, no já longínquo ano de 1989, quase ninguém na Europa lia o New York Times no próprio dia. Hoje, lêmo-lo antes dos próprios habitantes de Nova Iorque, que ainda estão a dormir quando o jornal sai para as ruas. E quando nos ligamos ao site, não são raras as vezes em que conseguimos também ler anúncios em português ou virados para o mercado lusófono. Quantos jornais portugueses estão a pôr nos seus sites anúncios virados para o mercado brasileiro ou dos países de expressão portuguesa? Quantos sites de jornais portugueses estão a usar anúncios nos seus vídeos? Quantos jornais portugueses estão a explorar correctamente a sua publicidade? É melhor fazer o trabalho de casa primeiro antes de nos lançarmos na aventura de cobrança de conteúdos que, ainda por cima, não chegam aos calcanhares dos do New York Times. Ou chegam?

Argumentos finais

Sim thumb-membro

Henrique Monteiro

Jornalista, administrador no executivo e director na Impresa Publishing

Não thumb-membro

Antnio Granado

Editor multimdia na RTP e professor auxiliar na Universidade Nova de Lisboa

Comecemos pelo ponto em que estamos de acordo: o trabalho deve ter recompensa, o jornalismo deve criar valor acrescentado, o rigor e credibilidade aportados pelo bom jornalismo profissional são cada vez mais necessários. Só estes pontos chegam para uma boa conversa, típica entre antigos jornalistas – António Granado desde o «já longínquo ano de 1989», como ele diz, e eu desde os ainda mais longínquos anos 70.

Posto isto, como sempre saudando o meu opositor e tendo por destino a derrota certa – não que me falte razão, mas antes por me faltar como explicá-la –, sigo para aquilo em que não concordo.
Numa palavra, o argumento central de António Granado é este: ‘Arranjem bons conteúdos, façam o trabalho de casa, e só depois nos poderemos lançar na aventura de cobrar por conteúdos. Nenhum de nós chega aos calcanhares do New York Times’. Acredito que sim, embora aqui na Impresa, em matéria de resultados económicos estejamos melhor do que eles. Mas sigamos…
Há uma coisa chamada dimensão do mercado que o meu contraditor finge não existir. Este aspeto leva-nos a circunstâncias assim: o último livro de Philip Roth custa, nos EUA, pouco mais de 10 euros. O último de José Rodrigues dos Santos custa mais de 22 em Portugal. Este diferencial de preços advém da qualidade? Pois não! Tem a ver com a dimensão do mercado.
É a dimensão do mercado que dá sentido à aposta daNewsCorp num jornal para iPad por 99 cêntimos por semana. O seu plano de negócio passa por atingir 800 mil leitores (mais de meio milhão de euros por semana só em vendas) – eis algo que ninguém com os sete alqueires bem medidos pode aspirar em Portugal (ou em português). Recordemos que o The Times, antes de colocar a paywall, chegava a centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Mesmo assim foi obrigado a não depender unicamente dos anúncios. É, por isso, demasiado simples e errado dizer que os jornais portugueses não sabem «explorar a sério» a sua publicidade. O peso da publicidade online em jornais como o Público, o Jornal de Negócios ou o Expresso não é irrelevante. É muito mais do que, certamente, Granado imagina e advém do esforço de equipas comerciais, conjugado com a criatividade, a imaginação e trabalho dos jornalistas. Mas tem um óbice: por muito que tenha vindo a subir – e veio – não chega para pagar os custos das redações. Não estivessem estas ancoradas no papel e jamais se sustentariam com a publicidade online. É por isso que o NYT, apesar de ser o NYT e ter o mercado doNYT, também vai pôr uma paywall – como pôs o Financial Times e vai pôr o Daily Telegraph e, ao fim e ao cabo, todos os grandes jornais que não querem perder a sua independência e credibilidade.
O argumento de que existem grandes jornalistas de rádio e de televisão a quem nada pagamos é, para dizer o mínimo, falacioso. Nós pagamos televisão através do cabo, como se pode dizer que pagamos internet através dos operadores. Porém, os operadores de cabo pagam às TVs para estarem presentes, coisa que não acontece no negócio da Internet. Mas ainda que se refiram os tempos do free-to-air e a rádio, deixem-me dizer que nada tenho contra outros modelos de negócio. Apenas digo o que é evidente: não funcionaram nem funcionam no online. Ponto final. Não é por alguém entender que ele deveria funcionar que vai passar a ser assim. Aceitemos humildemente os factos; não vale a pena dizer: melhorem os conteúdos, que depois nós pagamos. É outra falácia: o Público, o Negócios, o Expresso, o I e outros jornais têm bons conteúdos na Net. Pelo menos não piores do que aqueles que são pagos em papel. Ao mesmo tempo têm fotogalerias, filmes, infografias animadas… e, apesar de tudo, alguns teóricos continuaram a defender a gratuitidade. Até ao limite, nalguns casos até à exaustão!
Para finalizar, caro António, tente evitar a expressão «é falso, completamente falso» para contrariar um argumento contra o qual apenas tem um estudo – isso é o chamado argumento baculino. A relação entre o declínio acentuado dos jornais e a Internet é factual. No Reino Unido o mercado caiu 20 por cento depois de 2004. Só oThe News of the World, um tabloide, perdeu um milhão de leitores (ainda tem três milhões). Nos EUA, a grandedébacle dos jornais foi já este século. Em Portugal, à exceção do Correio da Manhã, todos os jornais caíram muito nos últimos três anos. Alguns tornaram-se quase irrelevantes. Tudo isto ocorreu ao mesmo tempo que a Internet e o mobile se desenvolveram. São factos… Não faça como aqueles maus jornalistas que não deixam um facto estragar-lhe uma boa teoria. A Internet contribuiu decisivamente para a queda acentuada dos jornais. Negar isto é negar uma evidência. Por isso mesmo temos de nos adaptar aos novos tempos.

N.B.: Henrique Monteiro escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Pergunta o Henrique Monteiro no seu último texto: “Se [os conteúdos] merecem ser pagos no mundo físico (do papel), por que razão não merecem ser pagos no mundo online (ainda que a formação do preço possa ter cambiantes, porque os custos também não são iguais)?” A resposta está dada desde a primeira frase do meu primeiro texto: “Os conteúdos dos jornais portugueses online não devem ser pagos pelo leitor por uma razão essencial: não têm qualidade suficiente, nem se espera que possam vir a ter nos próximos meses ou anos.” Este é o problema incontornável das análises que fizemos até ao momento do estado dos jornais portugueses online e que, como seria de esperar, até têm muitos pontos de confluência.

Não vale a pena confundirmos a edição em papel do “Expresso” com a edição online do jornal, como o Henrique tenta fazer. Não tem comparação possível. Se os leitores (sim, são esses que interessam…) achassem que as duas edições eram equivalentes, o Henrique teria facilmente atirado com os números de assinantes do Expresso online e esmagaria, de uma penada, a minha argumentação. Por outro lado, a realidade das redacções portuguesas online é aquela que eu descrevi no primeiro texto e, sobre isso, mais alfinetada menos alfinetada, não há volta a dar, a não ser “fazer o que ainda não foi feito”, para parafrasear outro cantor português: apostar no meio online, acreditar que o futuro dos jornais está muito longe das notícias em árvores mortas e ter a certeza de que o mundo dos média mudou, mas para melhor.

Ao contrário do que o Henrique Monteiro escreve, a informação com alto valor acrescentado não existe online em Portugal, porque se existisse os números de assinantes das edições online não seriam o que são hoje. É por isso que rejeito as acusações que o Henrique me faz no último parágrafo do seu texto, ou finge fazer: “Defender que este tipo de informação deve ser gratuita é não querer o progresso do jornalismo e das suas narrativas, é minar a independência das empresas livres que promovem esse jornalismo, condenando-as ao prejuízo.” Desde o princípio deste debate que o Henrique incorre num erro fatal: não estamos a discutir o valor dos textos jornalísticos em abstracto, estamos a falar sobre os conteúdos online dos jornais portugueses, repito, conteúdos online dos jornais portugueses. E esses conteúdos deixam actualmente muito a desejar, razão pela qual eu acho que não devem ser pagos.

Acredito no jornalismo e no seu papel essencial numa sociedade democrática. Acredito e desejo o progresso do jornalismo de qualidade e das suas narrativas. Acredito nas empresas de média e na importância do seu negócio para a construção de uma população mais informada e mais livre. Acredito no jornalismo que presta um verdadeiro serviço público e não explora as infelicidades de outros para seu próprio proveito. Acredito num jornalismo independente de poderes políticos e económicos, baseado num modelo de negócio que não ponha em causa a sua independência. Mas nada neste Credo me obrigará a pagar por um produto sem valor acrescentado, incapaz de se distinguir da mediania, feito sem recursos e apenas destinado a manter artificialmente um pseudo-negócio sem qualquer sentido.

Num debate deste tipo, e com esta importância, pouco ou mesmo nada interessa a declaração de um vencedor. Tanto eu como o Henrique, acho que posso dizê-lo, estamos de acordo num ponto essencial: o jornalismo é o único que não pode sair derrotado. Pela minha parte, acho que é possível continuar a fazer bom jornalismo baseado no modelo que as rádios e as televisões usam há dezenas de anos, se a publicidade for convenientemente explorada e adaptada às novas plataformas. O Henrique acha que é preciso começar a cobrar pelos conteúdos online e está convencido que consegue convencer toda uma nova geração a pagar por essa informação. Cada um ficará na sua e, pela parte que me toca, desejo ao Henrique muito boa sorte, mas desconfio que esse não será o caminho que vingará nos anos que aí vêm.

P.S. - Obrigado ao Contraditório pela oportunidade deste debate, aos comentadores e aos seus inputs e ao Henrique Monteiro por esta enriquecedora troca de argumentos.

Anncio do vencedor

Peter Barron, director de relações externas da Google para a Europa, Médio Oriente e África, acredita que o conteúdo não pago é persuasivo, mas não existe nenhuma razão intrínseca para que o material online tenha acesso livre.

No final é provável que haja vencedores de ambos os lados: uns encontrarão forma de lucrar através da escala, enquanto outros irão conquistar audiências específicas e nichos lucrativos.

Mas quem pode garantir como será o futuro dos jornais? Certo é que cabe a cada jornal decidir qual o modelo de negócio a adoptar e ao leitor escolher se deve pagar pelos conteúdos que lhe são apresentados.

Os nossos convidados expuseram claramente as suas posições e as divergências mantiveram-se até aos argumentos finais.

A decisão de oferecer gratuitamente conteúdos online de jornais enquanto modelo de negócio pode ser comparada ao pecado original, escrevia a revista “The Economist”. Reverter esta situação não parece ser fácil para os jornais, uma vez que se arriscam a perder leitores caso adoptem um modelo de acesso pago.

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Comentários (18)

  • silvia 12 Abril 2015, 19:23 GMT
    deixo s este exemplo, um jornal regional, com edio impressa mensal (com temas prprios) e tambm presente em www.valorlocal.pt com dois anos de existncia (nasceu em plena crise) com caractersticas bem diferentes dos comuns jornais gratuitos, com jornalismo de investigao, grtis e feito a nvel regional ou local como queiram chamar. Passados dois anos, o balano positivo e no estamos mesmo nada arrependidos de o ter feito gratuito. Conseguimos chamar mais pblico e h uma aposta do mercado publicitrio.
  • Henrique Shiuu 16 Janeiro 2013, 11:07 GMT
    http://godotisback.blogspot.pt/2012/09/o-jornalista.html
  • andre 18 Maio 2011, 1:01 GMT

    bom esse debate adorei informa bastantes coisas

  • Henrique Monteiro 7 Fevereiro 2011, 15:21 GMT

    Caro Afonso, isso é o Freemium, que está em vigor em dezenas de jornais internacionais. Concordo com a ideia

  • Afonso Cames 7 Fevereiro 2011, 0:59 GMT

    Acho que os jornais deveriam ter uma versão online gratuita e links pagos para conteúdos "premium".

  • Alberto Carvalho 5 Fevereiro 2011, 16:56 GMT

    Parabéns aos dois participantes pelo interesse e riqueza da argumentação!
    Por mais aliciante que seja uma opção entre sim e não, creio que ela é profundamente redutora da extrema complexidade do tema. Afinal, mais do que proporem o que gostariam que acontecesse, os dois participantes colocaram-se também no papel de empresários do sector.
    Desta forma, admito que neste momento não será rentável cobrar por conteúdos on line. Todavia, tal como, depois da taxa e da publicidade, a tv e os serviços não lineares têm hoje uma terceira forma de pagamento (pay tv e pay per view) - argumento que o Henrique Monteiro talvez devesse ter utilizado - também é bem possível que no futuro, muitos dos conteúdos on line apenas sejam acessíveis, por mera opção empresarial - mediante um pagamento específico!
    Em conclusão, parabéns aos dois! Mas não voto porque me parece que estiveram em registos diferentes - entre o devia ser assim e o vai ser assim...

  • Rui F. Saraiva 4 Fevereiro 2011, 11:25 GMT

    A questão da qualidade dos conteúdos parece-me fundamental neste debate.

    Consulto diariamente a imprensa estrangeira online, raramente entro nos websites portugueses (porque os conteúdos disponibilizados não me motivam a passar lá com maior frequência), mas só me sentiria motivado a pagar por conteúdos de excelência, como aqueles que o Financial Times disponibiliza.

    A verdade pode ser dura de ouvir, mas o tipo de jornalismo em Portugal, e peço desculpa pela generalização que não se pretende abusiva, não é equiparável aos conteúdos de excelência que outra publicações estrangeiras oferecem.

    O mercado da informação online é global e os jornais portugueses online terão que se adaptar a essa realidade. Assim penso que antes de pensarmos se devemos ter conteúdos pagos nos jornais nacionais, podemos também debater acerca da qualidade da informação e a opinião que os mesmos disponibilizam.

  • francisco rebello de andrade 3 Fevereiro 2011, 22:28 GMT

    A questão é um pouco falacciosa e, efectivamente, como já alguém referiu, dá a entender que remete para os consumidores de informação o ónus moral de pagar ou não pelo que consomem. Pelo conceito de universalidade associado à internet, considero que os consumidores não devem pagar conteúdos online.
    Em minha opinião, se os conteúdos dos jornais começarem a ser pagos, irão perder muitas audiências e provavelmente não terão o devido retorno.

    Basicamente eu remeto para o produtor de conteúdos optar por cobrar pelos seus serviços ou não. Se optarem por cobrar, o seu modelo de negócio deverá ser fortemente revisto.
    Quanto ao consumidor sou claramente a favor que não devemos pagar nada.

  • Gonalo Troolo 1 Fevereiro 2011, 19:00 GMT

    Não queremos pagar porque a internet assim nos habituou, recebemos informação a toda a hora sem filtros, com uma profusão imparável. E ainda por cima de borla! Sou da opinião de que os os conteúdos devem ser pagos independentemente da pertença do site/jornal online a um qualquer grupo editorial. Os custos de manutenção de uma edição online de determinada revista/jornal têm de se pagar a si próprios e se possível gerarem receitas! E não irem buscar a sua sobrevivência às edições em papel etc... A própria qualidade estará aqui posta em causa, pois existindo objetivos próprios claramente definidos, a diferença virá ao de cima. E pronto estou com pouco tempo para escrever, é mais um desabafo de quem é suspeito pois está ligado à imprensa escrita! Obrigado.

    Parabéns pela iniciativa!

  • Lus Antnio Santos 31 Janeiro 2011, 15:22 GMT

    Meus caros,

    Percebeu-se, no uso do contraditório, que há ideias base em que ambos concordam - a necessidade (mais forte nos tempos que correm) de um jornalismo sério, informado, experiente e a constatação de que estamos muito longe disso.

    Há também, divergências de fundo que não se dissipam, sobretudo em torno do caminho para a sobrevivência. Enquanto o António parece pedir um repensar global do negócio e do posicionamento social do jornalismo o Henrique parece dizer-nos que não há razão nenhuma para admitir já o falhanço de um modelo que deu tantos e tão gordos lucros a tão pouca gente durante tanto tempo (se ao menos as pessoas se comportassem como deve ser...).

    A argumentação do Henrique parece-me, francamente, a mais frágil porque ela emerge de um pensamento estratégico fundamentalmente errado - o mesmo que, como o António diz e com razão, levou a um esvaziamento das redacções nos últimos anos e a investimentos avulsos em sub-produtos engendrados pelos todo-poderosos (e muito bem pagos) Srs. do Marketing.

    O jornalismo não está nas ruas da amargura por causa da internet; o jornalismo foi para as ruas da amargura porque quem sobre ele tomou decisões fez como o dono do burro na famosa história: "cortou-lhe à ração, cortou-lhe à ração...e agora que ele estava a habituar-se a não comer é que morreu!".
    O inimigo externo - a tal da internet - é o artifício de muitos para não admitir as suas próprias culpas (culpa por terem sub-avaliado as audiências, culpa por não terem antecipado a mudança de comportamentos, culpa por terem dado de bandeja aos ISP o mercado todo da publicidade online).

    Esbracejar (ou atirar em várias direcções sem saber muito bem o que andam a fazer - como é o caso da mais recente febre com os tablets) não é a solução, naturalmente.
    A solução será distinta para cada empresa, creio eu, e vai depender do que ela quiser fazer da relação que (ainda) tem com a sua audiência. Mas isso só acontece se o ponto de partida não for o mesmo de sempre.

    Humildade, Henrique. É isso que se pede a quem manda no jornalismo. Menos soberba, mais estudo, mais conhecimento do mundo em que realmente vive.
    A chave está no jornalismo. Não está nos suportes.

    Para terminar, relembro que a empresa que, neste momento, melhor trabalha (de forma inovadora e consistente) conteúdos para o online em Portugal é uma rádio - uma das tais que não tem 'preço de acesso' (http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=96&did=132808).

    Um abraço a ambos (e parabéns a quem lançou a iniciativa)

  • Z Barreto 30 Janeiro 2011, 12:50 GMT

    A pergunta é estranha e ociosa, como H. Monteiro parcialmente já assinalou. O verbo \"dever\" surge aqui como o Pilatos no Credo. É uma pergunta feita a quem? Aos moralistas? Aos jornalistas? Aos leitores de jornais? Aos e-leitores? Aos entendidos em jornalismo? Aos empresários de comunicação social? Aos filósofos de café com sensibilidade para questões económicas? Aos reformadores sociais que gostam de impingir as suas ideias salvíficas ao povo ignaro?
    Os jornais são empresas: cada uma delas é que sabe se o produto que tem pode ser vendido e proporcionar lucro ou outro benefício qualquer. Não adianta pôr qualquer coisa à venda se esta não for comprada, se o comprador não tiver a percepção de que está a dar o seu dinheiro por algo que tem valor, que lhe poupa tempo e que não pode encontrar rapidamente noutro lado. Os leitores, se não forem masoquistas, preferem SEMPRE, obviamente, conteúdos gratuitos. Eu não pago conteúdos do Público ou do Expresso, porque eles não oferecem nada de valioso ou que eu não possa encontrar por via gratuita. Quando esses jornais têm uma "cacha", a concorrência cita-a como notícia. As colunas de opinião não interessam nem ao menino jesus. Mas já paguei muitos conteúdos de arquivo do Times ou do NYT: por quantias módicas tive acesso rápido a informação de qualidade que não encontrei noutro lado e que os ditos jornais tornam acessível através de um serviço muito completo e bem concebido.

  • e-ko 28 Janeiro 2011, 18:47 GMT
    Eu estou numa de defender as duas posies, mas tenho de explicar melhor porqu...

    Sou contra ter de pagar contedos informativos dos jornais online que existem em Portugal, porque pertencem a empresrios que j tm o financiamento da compra dos jornais, assinaturas e publicidade, porque esses prprios contedos j so condicionados linha editorial mais ou menos implicitamente imposta nas redaces. E todos sabemos como a nossa imprensa suave... perguntem ao Sr. Cavaco Silva.

    Sou a favor de pagar contedos informativos independentes de empresas proprietrias e linhas editorais mais ou menos explicitas... neste caso, o meu modelo, seria o do stio de informao francs Mediapart, que existe apenas porque financiado, exclusivamente, pelos leitores!...
  • isabel Maria Viana Moo Martins Alves 28 Janeiro 2011, 18:06 GMT

    Não. Na situação económica actual do nosso país a maioria dos jornais não têm utilizadores em número suficiente para avançarem para essa situação. Devem apostar na publicidade nos sites e na melhoria dos seus conteúdos.

  • Jos Moreno 27 Janeiro 2011, 12:50 GMT

    Também sou jornalista, respeito muito a função social do jornalismo e percebo bem os argumentos do Henrique Monteiro, mas também concordo que - no estado actual e no futuro vislumbrável - não existem condições - nem de mercado nem técnicas - para que os conteúdos sejam pagos. Voto não, portanto.

    Gostaria apenas de deixar duas reflexões adicionais:
    1. A informação - ao contrário de um peça de fruta ou qualquer outro bem material - não pode ser roubada, pela simples razão de que o conceito de roubo implica que a pessoa roubada seja privada do bem roubado. O que não acontece no caso da informação. É o "princípio wikileaks" e o raciocínio fundamental que está na base dos movimentos anti-copyright ("information wants to be free", lembram-se...). Ora, se a informação não pode ser roubada, também não pode ser vendida, pelas mesmíssimas razões. Portanto, quando estamos a falar de pagar pela informação online, não estamos a falar de um produto, provavelmente nem sequer de um conteúdo (que tenha uma existência física autónoma); estamos a falar de direitos de autor, ou seja, de copyright. Essa é a razão técnica pela qual não é possível, hoje, implementar uma estratégia paga online com condições de sucesso.

    2. Ao contrário do que possa custar a aceitar aos jornalistas, é possível que uma boa parte do seu "valor" tradicional não seja resultado do seu trabalho, mas mero efeito de "gate-keeping". Na paisagem media pré-digital, o efeito de "gate-keeper" (que está relacionado com a "escassez" do suporte físico jornal) explicava uma boa parte da proposta de valor do jornalismo. Hoje, no mundo digital, a abundância tomou o lugar da escassez e o "gate-keeping" foi... pulverizado. É por isso que vemos tantos "utilizadores" da internet a dizerem que não pagam por informação online. Não pagam porque a informação é abundante (na realidade é até excessivamente abundante, "pedindo" mecanismos de enquadramento e filtragem que, ironicamente, era o que os jornais deviam estar a fazer...) e há um número infinito de canais com um número infinito de solicitações informativas simultâneas. Essa é a razão de mercado para só em casos muito específicos seja viável cobrar por conteúdos online.

  • luiz carvalho 27 Janeiro 2011, 11:47 GMT

    O ADN da internet é a livre partilha. O sucesso do YouTube, do Google, só para citar os maiores, deve-se à sua grande utilidade, à forma amigável como servem os usuários, à gratuitidade.

    A internet já é paga, e bem paga, por todos nós que temos assinaturas e muitas vezes várias assinaturas. Contratos que contemplam televisão, telefone e internet. Só eu tenho 3 assinaturas, o que representa uma renda considerável.

    Portanto: pagar para ter acesso a conteúdos na net é difícil de aceitar. O negócio da internet não está "dentro" da internet mas sim naquilo que ela gera fora. Isto é: o negócio de um jornal não está directamente no seu online mas no negócio que ele pode gerar: mais leitores na edição impressa, maior influência perante um público muito mais vasto do que o do papel. O online tem um protagonismo fundamental no agarrar dos leitores muitas vezes ao minuto e poder criar uma comunidade vasta, que por si é um valor de mercado valioso.

    O que eu gasto em anúncios e tempo na internet a promover os meus cursos não está na net, está no negócio que gera no meu estúdio.

    O online paga-se com a mais valia da comunidade aderente (uma multidão influente e consumidora) e com a publicidade gerada com as milhares ou milhões de páginas vistas. Um blogue como o Instante Fatal, o ano passado com uma média de 600 visitas diárias, conseguiu facturar mil euros de publicidade. Pouco? Claro. Mas não sei se um jornal online terá gerado o proporcional em rendimento publicitário.

    O sonho de os jornais deixarem de ser impressos em papel e pagos na net a um preço semelhante, poupando-se no papel, na tipografia, na distribuição, numa redacção menos ambiciosa, em troca de uns vídeos amadores, de umas fotogalerias enfastiosas ou de umas notícias requentadas com títulos a roçarem o Correio da Manhã na sua secção de sociedade, não é viável.

    Os leitores estão a abandonar a compra dos jornais não é por serem em papel. É por serem dispensáveis, porque a qualidade baixou, quando se trocou o conteúdo pela embalagem, a reportagem pelo jornalismo sentado, a investigação pela análise dos espertos que vão à televisão.

    Uma edição banal tanto o é no papel como no iPad. Com a desvantagem no iPad pois o gato não pode usar o papel numa operação de convergência doméstica.

    Claro que o senhor Murdock, uma figura nada recomendável para se seguir em política de jornais e televisão, um coveiro neo-liberal do jornalismo, com muitos adeptos por cá, tentou com um pequeno sucesso esta operação de parquímetro no Wall Street Journal. Mas o New York Times acabou por voltar a abrir os conteúdos da sua edição online depois de um fracasso total. Está agora a tentar repetir a experiência, mas sem negar as maiores dúvidas.

    É curioso, e preocupante, que quem aparece a defender o pagamento das edições online, são muitas vezes os que nada contribuíram para jornais online fortes, com uma linguagem multimédia, com uma escrita eficaz para a net, com uma equipa de excelência. Gostava de ver edições online de grande qualidade e não réplicas medíocres das já sofríveis edições de papel.

    A qualidade de uma edição online não está no facto de ter uma edição para iPad. Aliás por 150 euros qualquer jornal da paróquia tem a sua edição na Apple Store, embora haja quem faça dessa operação banal, um feito glorioso de grande génio editorial. A qualidade de uma edição online está na qualidade e na inovação. Na escrita, nas fotografias, nos vídeos, na infografia, na agilidade da notícia, no cross-promotion das várias edições impressas, online, rádio e TV. A qualidade está na gestão de uma redacção sénior, competente, repartida por editores com autonomia que possam distribuir os conteúdos em função das plataformas diferentes e das diferentes velocidades de informar.

    Enquanto a possibilidade de fazer um clique nos possibilitar de mudar de site, vai ser difícil convencer alguém a pagar. A não ser que a oferta seja na verdade irresistível e consiga subverter a grande dimensão democrática da internet: partilhar em total liberdade, sem custos.

  • David Maral 26 Janeiro 2011, 13:45 GMT

    Acho que a questão que está subjacente a este debate é qual é o futuro do jornalismo. É evidente que ninguém irá pagar por conteúdos que possa ter gratuitamente ou que não tenham um valor objectivo para si. E mesmo que a diferença exista, entre o pago e o gratuito, ela pode não ser suficiente.

    Veja-se o caso da enciclopédia Britânica (em vários volumes em papel), que tinha sem dúvida muito mais informação do que a Encarta da Microsoft (em CD-ROM), e custava a mesma coisa que um computador pessoal (que vinha já com a Encarta). A Britânica, como a conhecíamos, desapareceu, a Encarta também desapareceu e hoje temos a wikipedia.

    Uma possibilidade - já levantada há mais de dez anos quando as tecnologias de informação estavam mesmo na moda e todos achavam que iam ficar ricos com os banners publicitários na net (ficou só o google afinal) - é que os mediadores entre os produtores de conteúdos e o público passarão a ser plataformas tecnológicas agregadoras de conteúdos sistemáticas, passando cada consumidor a ser o seu próprio editor. Isto dita o fim da indústria discográfica, das distribuidoras de filmes, dos jornais. Os leitores poderiam escolher subscrever um determinado jornalista (que já não trabalha num jornal) pagando por isso algo que apenas paga o jornalista e uma pequena comissão à plataforma agregadora (o google news, por exemplo), que é quem passa a ter o poder.

    Não sei se isto é bom, nem se é o que vai acontecer. Mas não posso deixar de pensar que o futuro das notícias não seja de editores e projectos editoriais, mas de programadores e plataformas tecnológicas. E que o consumidor irá continuar a pagar, seja com um valor monetário (apenas para os jornalistas e autores que escolher e não para um pacote editorial) ou com os seus dados pessoais e preferências de consumo.

    O caso da wikileaks também merece reflexão. Por um lado ilustra bem como a programação pode esvaziar em grande medida o poder dos editores e jornalistas passando-o para os agregadores sistemáticos de conteúdos. Mas por outro lado, desenvolvimentos recentes, com a própria wikileaks a fazer acordos com jornais de vários países, a edição e análise jornalística sai revalorizada.

    Acho que a transferência do modelo de negócio dos jornais em papel para o on-line é improvável. Surgirá outro modelo de negócio, que poderá ter diferenças significativas em relação ao que é o jornalismo actual.

  • Slvio Fernando Leal Mendes 25 Janeiro 2011, 11:06 GMT
    Sou, por princpio, contra. Ou melhor: eu no pagaria.

    Mas aceitando analisar esse cenrio, primeiro seria necessrio que as verses on-line dos jornais dessem um salto qualitativo de grande dimenso, para que tivessem um produto rentvel. Como as coisas esto, preferia fazer uma assinatura da LUSA e mastig-la eu prprio. Mas se falssemos em website de grande qualidade (e de visita gratuita) como o El Pas ou o The Guardian, a j havia alguns argumentos para os directores dos jornais portugueses sonharem com rentabilidade de assinaturas on-line. Ou: Mesmo assim, seria suficiente para convencer o leitor a pagar?
  • Eduardo Passos 25 Janeiro 2011, 2:23 GMT
    Se tivssemos a falar de pagar contedos de jornais online no geral, eu votaria a favor. Contudo, seria a favor da diviso de um contedo que seria premium, e por isso pago, daquele que se englobaria como sendo servio pblico e gratuito. Ao reduzir o debate para Portugal sou obrigado a votar no e por uma razo muito simples: os jornais portugueses tm ainda um produto muito fraco para venderem. Os sites de notcias em Portugal precisam uma grande reformulao para tornarem-se produtos atractivos. Uma das hipteses seria tornarem-se no apenas sites, mas portais, com contedos originais e actualizaes permanentes. Se temos colunistas a escrever para a verso impressa porque no ter outros colunistas, ou at os mesmos, a escrever artigos novos para o site?
    Assim sendo, os jornais portugueses no podem cobrar por algo que se baseia essencialmente na republicao daquilo que saiu ou vai sair na verso impressa e de notcias enviadas por agncias de comunicao durante o dia - porque ao longo da madrugada os sites em Portugal nem se mexem. Acho isso pouco. O online tem que ser instantneo e para isso o ideal era que houvesse duas redaces a trabalhar em sintonia, mas com objectivos, prazos e linguagens diferentes. Para tudo isto preciso investimento, mas cobrar o leitor sem oferecer um produto de qualidade tambm no correcto. Pode ser que um dia esta realidade mude.