Para uma Arte mais Livre? Análise de Tendências Internacionais e a Ameaça da Autoridade do Estado Sobre a Cultura

Maria Inês Teixeira

Estudante de Mestrado em Gestão Cultural
"Competirá ao Estado apenas garantir a liberdade de expressão e criação dos indivíduos"

Publicado a 15 Outubro 2015 em Educação e Cultura

Resumo

O papel da Cultura enquanto ferramenta política foi desde sempre um tópico de pesquisa intrigante, e continua a ser um tema de estudo pertinente na arena internacional. Frequentemente remetido para o campo de lazer e subjectividade, o sector cultural é, na verdade, um meio de expressão por parte do Estado e um espelho das políticas de uma nação, seja através da sua divulgação ou opressão. Por este motivo, a Cultura pode não comprar poder militar, mas certamente actua como reguladora do nível de influência de um Estado.

Desde o século XIX e principalmente nos séculos XX e XXI, contudo, a soberania dos Estados tem sido fortemente ameaçada por um conjunto de tendências a nível internacional. Este estudo analisa três dessas tendências, explorando de que modo interferem no campo cultural e na autoridade do Estado sobre a Cultura. Após uma breve introdução sobre o estatuto da Cultura enquanto ferramenta política, segue uma análise sobre três tendências internacionais que se verificam desde o início dos anos 1980: a globalização e o individualismo, a ascensão das organizações não-governamentais e a crescente popularidade do empreendedorismo cultural.

O objectivo deste artigo não será prever o futuro ou afirmar que a soberania dos Estados está destinada a ser erradicada, mas sim entender de que modo algumas tendências a nível internacional podem desfavorecer a autoridade do Estado sobre a Cultura, argumentando a favor da libertação da Cultura em relação ao poder estatal.

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