As Relações União Europeia-Rússia: Compreender o Passado para Construir o Futuro

Rodrigo Gomes

Estudante, Mestrado em Estudos Internacionais
"Analisar as relações históricas entre UE e a Rússia é essencial para serenar as tensões políticas actuais"

Publicado a 15 Fevereiro 2016 em Relações Internacionais

Resumo

Este estudo procura fazer uma restrospectiva histórica das relações entre a Rússia e a UE desde o final da Guerra Fria até aos dias de hoje. Recentemente, o conflito armado no leste da Ucrânia, a crise na Crimeia, e a interferência russa em alguns países da Europa de Leste esfriaram as relações entre a Rússia e a União Europeia. Mais do que uma crise política, esta tensão reflecte um confronto geopolítico entre as duas entidades, enraizado no tempo. Compreender a evolução política e económica dos dois blocos é essencial para se compreender as atitudes e as justificações de ambos os lados, e para se desmistificar preconceitos sobre a forma como as relações se têm conduzido. Resolver os desafios futuros, muitos deles comuns, implicará perceber as intenções e capacidades das duas entidades, e em especial qual a percepção que cada uma delas tem da sua posição no sistema internacional.

A versão integral deste estudo está disponível apenas em inglês.

Participe na discussão

O Contraditório confere a todos os utilizadores o direito de acederem, rectificarem e eliminarem os respectivos dados pessoais. Os dados recolhidos destinam-se apenas à identificação do autor da mensagem.


Código de validação

Comentários (1)

  • Luís Faria 16 Fevereiro 2016, 11:38 GMT

    O autor refere que a UE e a Rússia têm "posições ideológicas e perspectivas de ver mundo" diferentes, mas simultaneamente sublinha não querer fazer uma análise maniqueísta entre a "boa UE" e a "má Rússia". O autor resume da seguinte forma as diferenças entre os dois lados: a UE, através do seu "soft power", promove a democracia e a liberdade económica; a Rússia, uma potência "à antiga", rege-se pelo nacionalismo. O autor conclui depois que assumir que um lado está certo e o outro está errado, sem ter em consideração as diferenças entre ambos, constitui um problema e coloca em risco a paz e a estabilidade.

    Não concordo. O nacionalismo proteccionista não é amigo da liberdade por natureza. Como já escrevi num artigo anterior,

    "No mundo moderno em que vivemos, o nacionalismo é uma das principais forças hostis ao liberalismo, às liberdades individuais, e mesmo os mais bem intencionados dos nacionalistas fundamentam os seus argumentos numa ética colectivista, tendo em vista o interesse nacional. Se os nacionalistas realmente acreditam que há uma especial obrigação para com os membros do seu grupo nacional, baseado em laços linguísticos, culturais ou étnicos, que se sobrepõem a princípios universais, então requer a consistência que estejam dispostos a sacrificar os direitos de outros grupos para benefício do seu próprio grupo. Se não sempre, pelo menos às vezes. Isto é moralmente inaceitável. Ainda assim há inúmeras vozes que defendem o nacionalismo económico, que defendem o proteccionismo.

    Muitas pessoas vêem este fenómeno do nacionalismo como se de uma família se tratasse. E se se trata de uma família, pensam alguns, então justifica-se tratar os de "fora do grupo" de uma forma injusta para benefício dos seus familiares. Felizmente, a maior parte dos pais quer o melhor para os seus filhos mas não impede os filhos dos outros de irem à escola ou de aprenderem, nem acha moralmente louvável que os seus filhos prejudiquem pessoas fora da família. Apesar dos fortes afectos, existe também o reconhecimento de que devemos fazer um esforço para tratar de uma forma justa os não-membros da família. A maior parte das pessoas reconhece que deve haver um rigor moral contra o favorecimento familiar. A maior parte das pessoas sabe que a ideia de que "isso ajudaria o meu filho…" não é uma justificação razoável para matar, roubar ou agredir, nem mesmo para arbitrar um jogo de futebol de uma forma parcial e injusta apenas porque o filho joga numa das equipas. As pessoas sabem que estas emoções e afectos não são uma desculpa aceitável para ignorar os direitos de estranhos, dos que estão "fora do grupo", dos estrangeiros. Mas, pelo contrário, o nacionalismo é geralmente aceite como uma justificação razoável para prejudicar os que estão "fora do grupo".

    O nacionalismo é forjado e perigoso. Forjado porque reclama para si a lealdade e devoção para com os nacionais do seu país; e perigoso porque quando as pessoas agem centradas no conceito de Nação esquecem a mais básica obrigação moral de deixar os outros em paz."

    Se assumirmos que de um lado há a promoção da liberdade e do outro o nacionalismo, então não deve haver dúvidas entre o que é bom e o que é mau. O que verdadeiramente constitui um problema é qualquer análise relativista que aceite a violação de direitos individuais básicos.